O apego exagerado sufoca o amor: A história da andorinha e o príncipe

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Você consegue explicar a diferença entre amor e apego? Por que nos confundimos e como o apego pode influenciar negativamente os nossos relacionamentos?


Com esta história sobre o papel que o apego exerce em um casamento, queremos refletir sobre os mecanismos dessa ligação que nos causa tanto sofrimento. Ela nos afeta profundamente quando tentamos controlar e dominar o outro, colocando como desculpa o amor.

Imagine o lindo príncipe olhando pela janela esperando que algo novo acontecesse. Ele tinha somente um servo que era encarregado de manter o castelo limpo e fazer as compras. O príncipe vivia reclamando de sua vida aborrecida. Em uma bela manhã, uma linda andorinha pequena e delicada pousou em sua janela. A andorinha o presenteou com uma curta melodia e se foi. Ele ficou maravilhado com o seu canto que parecia ser o mais lindo do mundo e a sua plumagem a mais original. Um ser único, jamais visto!

O retorno da andorinha

O príncipe aguardava ansiosamente o regresso daquele belo pássaro. Então o dia tão esperado chegou e a andorinha reapareceu para cantar outra canção. Ele ficou muito feliz e pouco antes da andorinha voar novamente ele se perguntou sobre ela estar com frio? Na terceira vez que o pássaro voltou, o príncipe se preocupou se ela estava com fome. Nos dias seguintes, ele passou a construir uma casinha para a andorinha. Ele mandou o seu servo comprar madeiras, pregos e caçar insetos.


Porém o príncipe era muito desajeitado e depois de várias tentativas, exigiu que o seu servo construísse a casa, o servo murmurava, “Pássaro maldito”. Colocou na casinha os insetos, a água e tecidos de seda para fazer uma cama. Quando a viu pousada no parapeito da janela, aproximou a casa e ficou observando como ela bebia a água e aproveitava a comida que ele havia preparado. “Você gosta destes insetos, minha doce andorinha? Eu os cacei para você”, da sua maneira a andorinha parecia concordar e logo retomou seu voo.

O príncipe ficou inseguro

A andorinha não voltou e o príncipe foi invadido pela ansiedade. Ele se questionava sobre a possibilidade dela nunca mais voltar, ela talvez poderia ter encontrado uma casa melhor que algum outro príncipe possa ter construído. Na sua cabeça ele não podia permitir tal coisa, pois não existia uma andorinha tão bela em todo o mundo! O príncipe passou três dias sem dormir e sem pensar em outra coisa, até que decidiu fabricar uma porta com cadeado para a pequena casa.

Quando a andorinha voltou e entrou para provar a comida, o príncipe trancou a porta. “Eu te amo, nunca mais lhe faltará água, comida e não sentirá frio”, disse ele. Um pouco confusa, a andorinha se deixou levar, a princípio pela comodidade. Aproveitava o calor da sua nova casa e tinha comida ao seu alcance, sem precisar farejar entre as plantações para consegui-la. O príncipe colocou a gaiola na sua mesa de cabeceira para cumprimentar a andorinha todas as manhãs ao acordar. “Você é a minha andorinha, cante uma linda canção para mim”, ele dizia. A andorinha pensava que a vida ali não era tão ruim e cantava suas lindas canções. Porém, com o passar do tempo, a sua música foi se apagando, até que ela ficou muda.

A andorinha perdeu o seu canto

O príncipe à questionava sobre ela não cantar mais, ele se dizia ser tão feliz com o seu canto. A andorinha dizia que sua canção era inspirada pelo fluir do rio, pelo som do vento nas árvores, pelo reflexo da lua nas rochas das montanhas,  “Eu era feliz, mas agora nesta gaiola, não encontro motivos para cantar.”

– “Eu faço isso porque te amo” – dizia o príncipe. “É perigoso andar sozinha por aí. E se acontecer um acidente? E se não encontrar comida? E se um caçador atirar em você?” – “Quem? O que é um caçador?” – questionava ela. – “Eu cuido de você e a protejo, aqui está a salvo de qualquer perigo.”

Um dia, o príncipe acordou sobressaltado. Foi acariciar a andorinha e a encontrou morta. Então com muita raiva, chamou o seu servo e o despediu, porque certamente um dos insetos que ele caçara a tinha matado. O fato de ter encontrado um culpado não o consolou; se sentia ainda mais sozinho e impotente do que antes da andorinha aparecer. Até que em um certo dia outra andorinha pousou na sua janela e cantou uma canção: a mais linda canção que ele já havia escutado.

O apego exagerado sufoca o amor

Esta história é para que possamos refletir sobre o apego nos relacionamentos, ela nos mostra como muitas vezes os nossos medos se impõem aos desejos e direitos do outro. Quando tentamos transformar as pessoas, as afastamos da sua essência e da sua felicidade. Fazemos de tudo por elas, porém sem nos darmos conta, estamos às prejudicando.

O apego pode nos confundir e exagerar as qualidades do ser amado; passamos a acreditar que ele é um ser único e insubstituível. Isto aumenta a nossa ansiedade pelo fato de imaginarmos a sua possível perda. Com a desculpa de proteção ou bem-estar, podemos privar o outro da sua liberdade. Esta é uma história sobre o apego, mas é também uma história de amor.  Amar é aceitar e respeitar a maneira de ser do outro, desejar a sua felicidade antes de pensar nas nossas necessidades. É preciso deixá-lo voar como as andorinhas, caso precise e essa seja sua maneira de ser feliz, pense nisso!

O apego exagerado sufoca o amor: A história da andorinha e o príncipe
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